Da sociedade do cansaço e ansiedade a arte da medida certa de viver

O autor coreano Byung Chul Han chama a atenção para os sinais de autodestruição no que ele chama de sociedade do cansaço, que ainda outros pensadores contemporâneos denominam a sociedade da ansiedade. Pouco a pouco vamos perdendo o sentido do viver, não conseguimos dormir nem repousar, os relacionamentos esvaziam-se ou se tornam violentos e letais, um prazer amargo e efêmero vai substituindo a alegria e graça de viver. 

Santo Agostinho já no seu tempo falava de aquela pessoa que corria sim e muito só que fora dos trilhos e sem saber parar e o destino a onde devia chegar. Chegamos não só à exaustão do planeta mas de nós mesmos, e a violência neural (doenças mentais) vão ingressando na nossa agenda cotidiana dificultando cada vez mais o simples sobreviver. Está na hora de parar é o que grita o movimento slow ou devagar, que busca colocar calma e tranquilidade, curando nossas rotinas e convivências tóxicas, reduzindo a ciranda louca da nossa vida atual. Como sair desta armadilha do consumo desenfreado e do materialismo insano e acumulador que nos faz correr atrás de bens líquidos e fruíveis de curtíssima duração? O monge pensador Anselm Grüm no seu livro a arte de encontrar a medida certa de viver e o próprio e conhecido Leonardo Boff, na sua obra A busca da justa medida – Como equilibrar o Planeta Terra, traçam algumas estratégias espirituais no sentido de recuperar o equilíbrio, nas nossas atitudes, com os outros, sendo ao mesmo tempo cuidadosos com a Criação e aprendendo a viver no ritmo certo.

É necessário construir a cultura da justa medida ou o que o Papa Francisco chamava de sobriedade feliz, desenvolvendo a interdependência global com todos os povos, pessoas e criaturas, assumindo a responsabilidade universal de cuidar da Casa Comum. Banir a cultura do exagero, do descarte e desperdício, encontrando como no país do Butão o verdadeiro índice da felicidade, que é viver plenamente amando e servindo na partilha e contemplando a beleza de todas as coisas. Não bastará a transição energética ou reduzir emissões  de carbono senão convertermos a nossa vida, a nossa pegada ecológica, se não assumirmos em nossos relacionamentos e convívio, a medida certa de viver, tornando-nos com o Deus da ternura e da vida curadores e guardiões da Terra. Deus seja louvado!

+ Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 06 de Julho de 2025.

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