“Estai sempre prontos a responder a todos os que vos perguntarem sobre a esperança que há em vós” (1 Pe 3,15)
Com estas palavras extraídas da Primeira Carta de Pedro, capítulo 3º, versículos 15 e seguintes, que motivam a despedida do Povo de Deus no rito de encerramento nas Igrejas Particulares, pelo Diácono, queremos expressar as alegrias pelos copiosos frutos e graças recolhidas neste abençoado Jubileu, Peregrinos da Esperança. Como está registrado também na monição inicial de introdução do rito, o Bispo que preside agradece pela união com aqueles que muitas vezes não tem voz perante os homens, mas que o Pai escuta e reconhece como seus filhos prediletos: os doentes, as pessoas, idosas, os presos, os pobres (e nesta última categoria poderíamos mencionar os migrantes, os refugiados, os moradores de rua, os despojados de suas terras, os indígenas).
Na conclusão da Oração Universal dos Fieis o Presidente, suplica que respondendo ao desejo de converter-nos, nos tornemos em autênticas testemunhas do Evangelho, o que supõe um verdadeiro comprometimento com uma evangelização encarnada e profética. Agora fazendo ecoar mais as experiências pastorais, missionárias, e de presença ecumênica e intercultural do Jubileu em nossas dioceses e comunidades eclesiais, gostaria de partilhar e dar relevância a Cruz processional do Jubileu nas diversas Regiões e Dioceses, que inspirada pela logomarca deste acontecimento, foi um sinal esperançador que convocou e transformou as concentrações e peregrinações aprofundando a piedade popular, assumindo as dores, labutas e sofrimentos de nosso povo no horizonte do Reino.
Em nosso Regional Leste 1 da CNBB foi confeccionada uma Cruz vazada com a configuração e semelhança da Cruz de São Cosme e Damião, que impulsionou a São Francisco a reforma da Igreja. Cada Diocese do Regional acrescentou nela uma pequena cápsula de acrílico contendo um pequeno sinal de desesperança (um lenço com a cor do sangue, uma miniatura do feto símbolo do movimento da defesa pela vida, um caule queimado, uma cápsula de bala, e assim por diante) símbolos da violência e destruição contra a vida que deveriam atravessar pela Cruz para ser transformados em esperança de uma vida nova liberta e restaurada. Nas peregrinações aos santuários e Igrejas jubilares, houve muita participação, que manifestaram a demanda por salvação para toda a terra e suas criaturas, de pão, teto e trabalho para todas as famílias. Mas a Cruz visitou também hospitais, escolas e presídios, assentamentos, lugares que precisavam ser tocados pela luz, misericórdia e amor do Deus da esperança.
Enfim, como dizia São Agostinho as filhas da esperança: a indignação e a coragem, não nos permitiram acomodar-nos a meras rotinas religiosas mas torná-las êxodo, saída, e transformação em nossas romarias, fazendo crescer a esperança que não decepciona, engana ou confunde. O sonho não acabou, pois sonho sonhado por muitos muda a realidade e constroi o Reino, tornamo-nos uma Igreja que caminha na esperança, abre caminhos, ampliando a tenda e nossos horizontes. Deus seja louvado!
+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 30 de Dezembro de 2025.