Os passos do discernimento eleitoral para cristãos e cidadãos

Para Giacomo Costa sj, o discernimento é o ritmo da vida, o passo cadenciado e regular de quem encontrou sua medida e continua seu caminho sem jamais deter-se. Por isso para o grande formador Amadeu Cencini, pelo discernimento somos chamados a educar consciências, não substituí-las, tratando de despertar neste caso a cidadania, não manipulá-la com medos, preconceitos, ilusões e interesses espúrios que nos tornam infantis e dependentes. Para ajudar a crescer em compreensão e compaixão autêntica, vale a pena antes de emitir um voto, perguntar-se com veracidade e sinceridade interior : que tipo de projeto político estou votando para o meu país, um projeto pensado para os 200 milhões de brasileiros/as, que está alicerçado no bem comum ou o bem particular de poucos e aquinhoados, será que atenderá e incluirá os mais pobres trazendo a nossa memória e consciência os doentes sem plano de saúde, os trabalhadores com salário mínimo, às famílias sem teto, renda familiar suficiente, os neuro divergentes e deficientes, os povos nativos, os ribeirinhos e camponeses despojados das suas terras, os que padecem doenças mentais, os aposentados e a lista permanece incompleta, mas vale conferir a pergunta de Deus na Bíblia, onde dormirão os pobres?

Ainda é importante a questão de como escolher pessoas que enfrentem os desafios que temos no presente: a IA e o desemprego estrutural que pode vir pela sua aplicação inspirada somente na lógica do mercado; a crise climática e seus desdobramentos : enchentes, furacões, invasão do mar, falta de água potável, de ar limpo e respirável, de alimentos saudáveis,de doenças virais intermináveis, do aquecimento climático e temperaturas cada vez mais ameaçadoras; a violência e a sua letalidade crescente, feminicídios, prostituição e tráfico infantil,aborto de nascituros, eutanásia e mistanásia   (eliminação de anciãos, pessoas “inutéis”e sem recursos ), trabalho escravo e forçado, o poder do crime organizado, a morte de jovens, o descaso com a população carcerária crescente, a perseguição a lideranças ambientais e sindicais, o racismo e a homofobia. Mas tal vez a pergunta mais difícil que temos que nos fazer com total pureza de intenção será : o candidato que estou a apoiar como vê  e olha para os seus concidadãos, como inimigos a eliminar, com agorafobia (ódio aos pobres), como massa de manobra ou idiotas úteis, como sujeitos passivos sem vontade que devemos seduzir e impressionar?

O voto não é mercadoria, nem aposta lotérica, não é uma barganha e muito menos um negócio, é um ato transcendente, nobre, espiritual e amoroso, que pode contribuir a purificar e fortalecer a nossa Democracia, construir um país mais justo e mais fraterno, um país que nos orgulhemos por viver e conviver com irmãos e irmãs que cooperam todos para o bem comum e seus mandatários sejam apenas servidores, jardineiros, cuidadores das pessoas e do patrimônio público. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 27 de Setembro de 2026.

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