Um voto prudente, pacificador e esperançoso

Já na reta final do segundo turno das eleições nacionais 2026, esperando a decisão do dia 25 de outubro, importa num clima de serenidade e lúcida prudência ir preparando nosso voto para o futuro presidente. É verdade que não é só questão da pessoa do candidato, mas de projetos, alianças, trajetórias, ideologias e modelos políticos inspiradores. Torna-se necessário um discernimento que também visibilize o “after day” (o dia seguinte) que consequências sociais, culturais, geopolíticas, internacionais, para a paz social e do mundo inteiro trará a vitória de um candidato ou o de  seu oponente?

Não é prudente votar por antipatia, medos ou preconceitos, e muito menos por interesses escusos, particularistas e ocultos. Diante da realidade da polarização e entrincheiramento (trincheiras cada vez mais blindadas) a vitória de qualquer candidato será apertada e ficará a outra parte como a quase metade do país.  Pensemos qual dos candidatos  tem mais chance pelo perfil da sua pessoa, de fazer acontecer a “cultura de negociação  e do diálogo” proposta pelo Papa Leão XIV para integrar a outra parte reconstruindo a unidade e a paz. Nessa mesma linha de raciocínio, ponderou o fato de um dos candidatos chegar a ter o poder completo do Estado em suas mãos : executivo, legislativo e judiciário (nomeando a maioria das ministros)  cenário possível que geraria um grave desequilíbrio no controle democrático do Estado de Direito  eliminando o sistema de contrapesos e dificultando não só a oposição mas o contraditório e o pluralismo saudável e necessário.

Segundo, se o candidato vitorioso irá manter ou até extender o multilateralismo e a diplomacia do entendimento e respeito contrária a força, seguindo a trajetória do Itamaraty, e o relacionamento de harmonia, expresso no Acordo Brasil-Santa Sé lembrado no Bicentenário das relações da Igreja Católica com a República Federativa do Brasil, celebrado neste ano, que defende com muita firmeza o princípio de liberdade religiosa.Terceiro, se esforçará em preservar a Constituição de 1988, que fará quarenta anos, guardando seus avanços no tocante a direitos humanos, inclusão e de garantias para o cidadão.

Quarto tentará possibilitar a todos os brasileiros/as uma cidadania plena, não só no exercício da participação e controle social mas na efetivação dos seus direitos e faculdades, garantindo segurança e paz com justiça social. Quinto,defenderá o cuidado da Casa Comum, protegendo o patrimônio nacional (terras raras, água, minérios, fauna e matas). É muito o que está em jogo, mas o mais importante é o bem comum de toda a população e de todas as gerações que virão pela frente. Que Deus nos inspire para que na Terra da Santa Cruz reine o amor, a paz, a justiça e a compaixão. Paz e Bem para todos(as)!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 25 de outubro de 2026.

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