A GUERRA OU A PAZ:“OU SERVIR A DEUS OU AO DINHEIRO”(Mt. 6,24)

Caríssimos leitores, outra vez venho escrever sobre as guerras. Analisando este assunto, em 2024 eram 120 e hoje são 11. Porém são guerras, onde muitas vidas são ceifadas. Famílias e cidades destruídas quando a economia mundial, neste cenário, favorece uma minoria dominante e prejudica uma maioria dominada, explorada e até mesmo sendo eliminada. Questões como saúde, educação, alimentação e moradia digna não são prioridades para os que governam. Aumenta a discriminação e o preconceito racial tanto na América como em outros países não americanos extraditando imigrantes em busca de uma vida melhor.

Na minha última estada como peregrino em Portugal conheci um jovem senhor africano e peregrino como eu, conversamos sobre racismo. Ele disse que andava livremente naquela cidade à noite porque pelo fato de ser negro, os transeuntes atravessavam a rua e mudavam de calçada. “Assim me sento seguro e livre. ”Este amigo é da mais alta patente militar em seu país e não portava arma. Tanto aqui no Brasil como em Portugal o preconceito racial é crime.

O fato histórico é que no século XV a Espanha, Portugal, França, Inglaterra e Holanda conquistaram nações além-mar, sobretudo na rota da ceda. O continente africano foi vítima dos navios negreiros trazendo para a américa espanhola, inglesa, francesa, portuguesa e holandesa os seus reféns que foram escravizados. Aqui no Brasil temos comunidades quilombolas cujos antepassados influenciaram e contribuíram conosco na cultura e culinária. Por exemplo, a capoeira e o samba, desenvolvidos aqui, o acarajé, o vatapá e o caruru. Pratos estes de origem africanas entre outros.

Temos comunidades originadas de indígenas, quilombolas (negros), mongóis e caucasianos. Sendo que os negros aqui no Brasil têm direitos ao sistema de cotas como acesso à cultura, educação e direito à posse da terra, ainda que não se tenha muita projeção à divulgação da reforma agrária. O Brasil tem o programa “Terra da Gente” que em 2026 no mês de março, segundo o ex-ministro da pasta do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que 30.000 famílias conforme a lei, receberam suas terras e destaca que “primeiro proporcionam produção de alimento, segundo diminuição das desigualdades, terceiro desenvolvimento no campo e quarta a fixação do jovem no campo.”

Quanto às guerras mundiais quero corroborar que, acima de tudo têm como foco a dominação de interesse territorial para explorar os minerais, sejam petróleo, gás, prata, ouro, bronze, urânio usado para energia nuclear, sendo o Brasil um dos maiores produtores do mundo. Temos ainda em abundância os minerais raros. Neste contexto o lucro está acima da fé.

O que tem isto com a paz mundial? Tudo. Na maioria das guerras quando uma nação ataca outra é visando tomar posse de riquezas minerais supraditas, eliminar o poderio bélico-nuclear e até mesmo por motivo de intolerância religiosa. Todos temos direito à terra para residir e produzir seja pela agricultura ou pecuária, mas os pequenos produtores são ameaçados pelos grandes latifundiários cujas terras não produzem, não empregam e não cumprem sua função social.

Em nosso tempo, me refiro ao Brasil, muitos de nós temos nossos bisavós, avós e pais que nos sustentaram com o trabalho rural. Hoje quem quer voltar para a “roça”? Crescem as favelas, a criminalidade e o tráfico de drogas, vestuário, medicamentos, tabacos falsos, animais silvestres e; até o tráfico de pessoas. O governo, seja municipal, estadual e federal tenta ajudar com programas sociais como cartões e bolsas diversas. Faz sua parte e de fato atenua a fome e a miséria. Muitas famílias são gratas e sobrevivem com o auxílio que recebem. Porém, muitos priorizam tais benefícios sociais e preferem não trabalhar, inclusive com carteira assinada para não perderem. Carecemos por exemplo de pedreiros e profissionais da área rural.

Queremos a paz mundial, pois a guerra causa a morte, a pobreza, a fome, a imigração, o preconceito racial e o enriquecimento da minoria dominante. Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou há de afeiçoar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” cf. Mt 6,24.

Assim disse o Papa Leão XIV em 1º de janeiro de 2026, Dia Mundial da Paz se pronunciou: “Por isso, os sucessores dos Apóstolos exprimem todos os dias e em todo o mundo a revolução mais silenciosa: “A paz esteja convosco!” Desde a noite da minha eleição como Bispo de Roma, quis inserir a minha saudação neste anúncio coral. E desejo reiterá-lo: esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente”

Autor: Pe. Marcos Paulo Pinalli da Costa, pároco em Grussaí-São João da Barra-RJ e Vigário Judicial Adjunto da Diocese de Campos-RJ.

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