O martírio da paciência, fonte de esperança, civilidade, empatia e tolerância
No livro biográfico “O martírio da paciência”, o Cardeal Agostinho Casaroli secretário de Estado de São João Paulo II testemunhou o seu trabalho incansável de artesão da paz, que facilitou em grande medida a dissolução não violenta e pacífica do totalitarismo nos países do leste europeu. Sem dúvida suas esperas em audiências intermináveis, sua solicitude e escuta atenta fizeram a diferença. Nelson Mandela quando iniciou seus 27 anos de reclusão na infame prisão de Robben Island na África do Sul, sofrendo abusos e constantes provocações, foi recebido com a frase: “Você vai morrer aqui”.
Longe de tornar-se uma pessoa raivosa ou amargurada, foi se tornando referência até para os guardas que começaram a admirá-lo. Ao sair, não buscou a desforra ou a vingança, mas colocou todas suas forças a serviço da união, reconciliação e a paz para todos os sul-africanos, ajudando a gerar um país na igualdade e justiça racial. Estes dois homens em cenários e situações bem diferentes ensinam-nos a considerar a paciência como mola impulsora da esperança, que não desiste e não engana.
Como a essência da civilidade, que tece e faz brotar a amizade social que vê sempre o bem comum, obedece e aperfeiçoa as leis, amplia os canais de escuta e de diálogo, aprendendo a incluir os divergentes e os dissidentes. Ainda a paciência é mestra da empatia e tolerância, respeitando os ritmos das pessoas, a pluralidade das formas de sentir e pensar, a capacidade de conviver e valorizar culturas, filosofias, credos e etnias como o jardim que Deus nos confiou como dádiva e missão. Nestes tempos conturbados verificamos com tristeza e preocupação a polarização ou cristalização de posições ideológicas nos diversos âmbitos, a prática de alguns setores da política do inimigo e a difusão constante de fake news e deep news que esboroam a confiança e o respeito.
Precisamos da paciência generosa e tranquila que como a semente de mostarda do Evangelho, torna-se uma árvore frondosa e viçosa que acolhe a todas as aves, abrigando-as e dando-lhes aconchego e proteção. Deus seja louvado!
+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 26 de Julho de 2026.