Segundo turno: momento de consciência, memória e discernimento
O segundo turno das eleições nacionais busca dar governabilidade e consolidar uma maioria que possa desenvolver as mudanças necessárias e a implementação das políticas de Estado consensuais. No entanto, não pode ser um ato de irresponsabilidade ou somente para cumprir o calendário eleitoral e muito menos uma adesão personalista e superficial. Implica ter consciência de quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir, isto é, com quem e com que projeto de Nação. Sim, temos que tomar consciência que vivemos num Estado de Direito, numa democracia que embora imperfeita como todo regime humano, mas que é perfectível e pode avançar para frente nunca retroceder.
A nossa Constituição fez no dia 05 de outubro 38 anos de promulgação, de aqui a dois cumprirá 40 anos de vigência. Foi chamada de Constituição cidadã, pois pela primeira vez foi redigida a partir do cidadão e seus direitos, afirma inequivocamente a dignidade da pessoa humana e seus direitos fundamentais e sociais, defende a função de responsabilidade social e ambiental da propriedade, os territórios dos povos nativos e quilombolas, uma ordem social justa e pacífica, uma ordem econômica regulamentada e aberta a livre iniciativa, um meio ambiente equilibrado, a família os valores cristãos e humanos, e a liberdade religiosa e de consciência.
Ela é espelho de um processo republicano de democratização, manifesta a forja do povo brasileiro e da sua identidade, não somente dos que vieram nas caravelas, mas dos que estavam na praia, dos que vieram depois acorrentados como escravos da Mäe África e dos milhares de migrantes que vieram depois procurando como diz o Papa Francisco Terra, Trabalho e Teto. Faz ressoar o grito do cacique Sepé Tiaraju: “Esta terra tem dono”, a resistência do quilombo de Palmares, a luta abolicionista e o movimento democrático constitucionalista com a campanha Diretas Já. Por isso, se tomamos consciência histórica de quem somos e de onde viemos fica mais fácil o discernimento do voto no segundo turno.
O candidato que vamos escolher vai fazer avançar o processo democrático tornando-o mais participativo ou vai retirar direitos da Constituição, vai promover a inclusão social com desenvolvimento humano integral e social ou vai defender a escala 6×1, vai combater o aquecimento global em prol da Casa Comum ou vai defender o desmatamento e a mineração livres. E finalmente continuaremos a ser uma Nação soberana ou voltaremos a ser um país dependente. Pense nisso e um bom segundo turno com consciência, responsabilidade e fraternidade Deus seja louvado!
+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 11 de outubro de 2026.