A vez de Neemias, unir escuta e coragem, oração e responsabilidade

O Papa Leão XIV na sua profética Encíclica Magnífica Humanitas sobre a Salvaguarda da Pessoa Humana na Era da Inteligência Artificial, pode nos servir de inspiração para o discernimento da escolha do futuro presidente nas eleições 2026. A situação que encontrará o vencedor do pleito vai ser a de contar com uma quase metade da população do Brasil que terá que ser convidada a participar e caminhar junto para evitar a lógica fatídica do eles contra nós, da auto destruição de processos de revanche, ódio e exclusão.

Neemias pode ser figura atraente e iluminada, pois consegue ouvir o clamor de uma cidade ferida, leva essa dor para a oração superando a auto suficiência, discerne perante Deus, pede ajuda, organiza o trabalho, enfrentando com prudência, docilidade e diálogo as resistências internas e externas, e como diz o Papa Leão no nº241 da Encíclica, consegue reconstruir tijolo por tijolo, as muralhas e edificações de Jerusalém. Ainda acrescenta, “reconheço nele uma parábola luminosa da nossa vocação a ser, na nossa era de transformações digitais e tecnológicas, de pessoas que não se resignam a ser somente espectadores das fraturas sociais e culturais, nem meros analistas de ruínas, mas mulheres e homens que entram nos estaleiros da história”,onde se forja uma nova humanidade. O país não precisa de edificações defensivas, mas dos ornamentos preciosos da esposa do Cordeiro, amor, beleza, verdade,  justiça, congraçamento e fraternidade.

Precisamos de alguém que possa estar à altura deste grandioso desafio, restaurar a unidade e a paz, com a inclusão de todos e todas. Fazendo acontecer um verdadeiro desenvolvimento de todas as pessoas e da pessoa inteira, sustentável, integral e solidário. Para isso aproximar-se-á e agregará a todos/as numa convivência que gere novos vínculos de confiança e de esperança no futuro do Brasil. Será necessária muita humildade e capacidade, de compreensão, negociação legítima, abertura e nobreza de espírito e sobretudo caridade e compaixão. Parece talvez pedir muito ou cair num idealismo romântico demais, mas o que transitamos até agora com o “realismo” da raiva e da agressividade mútua, da desqualificação e hostilidade sem tamanho, poderá levar-nos a algum lugar que não seja a cultura da morte e da eliminação?

Teremos que saber contar com todas as pessoas, pois todas elas representam o patrimônio mais importante e essencial do Brasil, votemos em quem pode alimentar em nós o melhor da cultura brasileira, a alegria de ser um povo irmão e hospitaleiro, trabalhador e pacífico, com profunda fé cristã e o olhar e carinho da Mãe Aparecida. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 18 de Outubro de 2026.

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