A experiência orante que gera esperança para a humanidade e a Casa Comum

O segundo domingo da Quaresma nos conduz ao Monte Tabor onde Jesus diante de três dos apóstolos Pedro, João e Tiago se transfigura e os faz participar desta experiência cume onde o Pai apresenta o Filho revestido de um esplendor e uma luminosidade divina. Este momento revelador e místico os prepara para viver a paixão e a morte de Jesus, e ao mesmo tempo para assumir o seguimento e a missão. O Tabor para o cristão nos impele a contemplar como afirmava São João Paulo II no Novo Milenium Ineunte, o rosto Crucificado e do Ressuscitado para firmar a nossa esperança e encorajar-nos na caminhada e no apostolado. Sem este encontro transformante seremos incapazes de anunciar com força profética e entusiasta o Reino que traz vida para os pobres e toda a Criação. Às vezes reduzimos e limitamos a vivência profunda de sermos o Povo renascido da Páscoa, que irradiando essa luz e esplendor que ninguém pode apagar, faz surgir um mundo novo. 

Ao escutar a voz do Pai no Tabor hoje que é a Igreja e onde o Espírito nos chama, somos convidados a ir à planície da dor, dos conflitos e dos sofrimentos das pessoas e da Terra, para abrirmos caminhos de esperança, de justiça e da paz do Reino. Lembrar que a oração sempre é um encontro e uma escuta atenta da Palavra que recria em nós a presença amorosa libertadora e transformante do Deus da vida encarnado na pessoa de Jesus Cristo, nosso irmão e Salvador. Oração que nos impulsiona a comunhão missionária servindo com total entrega e ardor aos irmãos pobres e a todas as criaturas, que gemem e agonizam esperando a manifestação dos filhos da luz, (Rom 8,23). Entre os apelos da Bula Spes non confundit, o Papa Francisco coloca no horizonte do jubileu da esperança a dívida ecológica e a necessidade de um fundo mundial para atender as ameaças do aquecimento global e dar acolhimento aos refugiados climáticos e migrantes forçados pelas crises climáticas. 

Nesta quaresma seria muito inspirador retomar as duas obras de misericórdia propostas pelo Papa Francisco em 2015, a obra de misericórdia corporal, um gesto de preservação e cuidado para Casa Comum e a obra de misericórdia espiritual rezar pela integridade e cura da terra. Que Jesus possa transfigurar nossos corações para torná-los como afirma o objetivo geral da CF 2025 mais abertos e sensíveis a escuta dos gritos dos pobres e da Casa Comum. Louvado seja Deus!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 16 de Março de 2025.

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