A família e a obediência ao Deus amoroso.

Neste domingo, 10 de agosto, abertura solene da Semana da Família 2025, no Brasil (CNBB), providencialmente o Sumo Pontífice Leão XIV, no Angelus, enalteceu a necessidade de “não perder nenhuma ocasião para Amar”. E ainda que, “confiemos a Maria este desejo e este compromisso: que Ela, a Estrela da Manhã, nos ajude a ser, num mundo marcado por tantas divisões, ‘sentinelas’ da misericórdia e da paz, como nos ensinou São João Paulo II”.

Diác. Adelino Barcellos Filho – Diocese de Campos/RJ.

O Sumo Pontífice declarou ademais que, “em nossos núcleos familiares, em nossas comunidades paroquiais, nas instituições de ensino e em nossos ambientes laborais, em qualquer contexto em que nos encontremos, empenhemo-nos para não negligenciar nenhuma oportunidade de Amar. Esta é a vigilância que Jesus nos solicita: habituar-nos a permanecer atentos, preparados e sensíveis uns aos outros, verdadeira empatia, tal como Ele é conosco em todos os instantes.”

Desde a mensagem de vídeo para o 3º Congresso da Rede Católica Pan-Africana de Teologia e Pastoral (“Caminhar juntos na esperança como Igreja Família de Deus na África”), o Papa Leão XIV, em 06 de agosto de 2025, Dia da Transfiguração e da audiência geral, já havia afirmado que “a família é, geralmente, o primeiro lugar onde recebemos o Amor e o Apoio de que necessitamos para prosseguir e superar as provações que enfrentamos na vida”.

Prosseguiu o Sumo Pontífice: “por essa razão eu os encorajo a continuar fortalecendo a família das Igrejas locais, em seus diversos países e regiões, para que haja redes de apoio disponíveis para todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo, e também para a sociedade em geral, especialmente os que estão nas periferias”.

A família constitui a base essencial na qual se recebem amor e apoio, elementos fundamentais para enfrentar as provações existenciais e os desafios externos. Nela, adquirem-se os valores da aceitação, do cuidado e da união. É imperativo fortalecer as famílias nas comunidades eclesiásticas locais em âmbito global, a fim de estabelecer redes de apoio acessíveis a todos os fiéis católicos e à sociedade em geral.

É imperativo que esta rede de suporte se estenda de modo particular e prioritário àqueles que residem nas periferias, seja no sentido geográfico, social ou existencial. Frequentemente, é nessas áreas que as carências se manifestam de forma mais acentuada e a necessidade de apoio se torna mais premente.

A Igreja de Jesus Cristo, como extensão da família de Deus, detém a responsabilidade e o privilégio de servir como um farol de esperança e um porto seguro para os que se encontram em situações de vulnerabilidade.

É vital estender o suporte, especialmente nas periferias geográficas, sociais ou existenciais, onde as carências são mais agudas. A Igreja, através do Batismo nos imprime uma marca indelével de entrada na família de Deus, deve ser um farol de esperança e porto seguro para os vulneráveis.

Fortalecer famílias e comunidades eclesiásticas garante que ninguém seja deixado para trás, criando ambientes de solidariedade, ajuda mútua e amor. Isso gera um impacto transformador que ultrapassa o templo, reverberando na comunidade e construindo uma sociedade mais justa e resiliente. Que cada família local reflita o amor divino, irradiando apoio e esperança.

Leão XIV ressaltou a urgência de dedicar atenção especial às famílias que, por diversos motivos, se encontram espiritualmente afastadas, observando que muitas pessoas ignoram o chamado ao encontro com Deus. Deus estabeleceu a família humana com igual dignidade para seus membros, biologicamente distintos e com formações psicoemocionais diversas.

A família, para o benefício mútuo e da sociedade, implica em responsabilidades, direitos e deveres que se perpetuam e se renovam. Toda família, conforme Deus, deve ser um sinal de humildade e adoração a Ele. Andar descalço é um símbolo de dependência de Deus, conforme exemplificado em Isaías (20, 2), que andou nu e descalço em ato de obediência.

Enquanto núcleo essencial da estrutura social, a família constitui o ambiente primário no qual indivíduos se dedicam ao amor e à perpetuação da vida. Seus pilares fundamentais – autoridade, estabilidade e as dinâmicas relacionais internas – são de suma importância para a promoção da prosperidade, autonomia, segurança e solidariedade na coletividade.

A gestão eficiente dos interesses particulares emerge como uma de suas incumbências intrínsecas, exercendo influência direta na configuração da organização social e no bem-estar geral. A família é a base da vocação humana. A crise ética e a corrupção social, com seus colapsos e desvios de verbas, estão ligadas à terceirização da educação familiar, abandono de valores e distorção da consciência

Para os católicos, os Dez Mandamentos e as Bem-Aventuranças servem como guias para a libertação do pecado, auxiliando no exame de consciência para o sacramento da Confissão e Reconciliação. A família, composta por pais e avós, desempenha um papel crucial na educação da Fé. Cada família deve constituir-se como uma “escola do Amor” e da Fé de Jesus Cristo, cultivando a escuta aos pais e a intimidade com o Espírito Santo.

Jesus ensinou que o matrimônio é sagrado e essencial, com normas e regras divinas, unindo homem e mulher em uma só carne para formar famílias saudáveis. A obediência dos filhos é vital; a desobediência sinaliza o declínio social e eclesial, seja de quem for. Famílias felizes sustentam uma Igreja vibrante e uma Nação robusta.

Qualquer desordem moral, seja no âmbito familiar ou nacional, leva à manipulação das consciências, ao surgimento de vícios, ao fortalecimento de ideologias e preconceitos, e à escravidão do pecado. É imperativo lembrar que a minha e a sua condição de pecador(a) não nos concede o direito de transgredir ou pecar.

As representações da Sagrada Família (Jesus, Maria e José) frequentemente exibem os pés descalços, um símbolo de sua pureza. A família, enquanto instituição de origem divina, é indestrutível, e sua relevância é corroborada pela escolha de Jesus de nascer em um contexto familiar santificado e feliz.

O individualismo, a indisciplina e a independência excessiva enfraquecem os laços familiares e levam à incapacidade de doação, de cuidado. O amor provisório resulta em relacionamentos descartáveis, solidão, doenças emocionais, suicídio. A Missão Sacra da Família é salvaguardar, revelar e transmitir ao mundo o Amor e a Vida, cuidar.

É dever da família (natural e eclesiástica) e dos líderes sociais combater a solidão em todas as idades, especialmente para aqueles em casa, asilos ou hospitais. É preciso mais sensibilidade espiritual e emocional da parte de quem cuida. Para combater a solidão, é crucial erradicar a cultura do descarte e as zombarias, que minam a alegria. Um acompanhamento humano e espiritual é vital para a paz existencial, que conduz à eternidade feliz, por Cristo, com Cristo e em Cristo.

Deus uno e trino, seja louvado sempre! Senhor Jesus Cristo, concedei a nós, Famílias e Comunidade, tolerância para aceitar diferenças, humor para enfrentar desilusões, e Esperança para atravessar tempos difíceis. Abri nossa mente para riquezas inexploradas, nosso coração para quem necessita, e nosso espírito para Vós. Acalmai inquietações, confortai na dor e solidão, alimentai com abandono confiante. JESUS, MARIA e SÃO JOSÉ, nossa Família, Vossa é. Assim seja! Deus uno e trino, seja louvado sempre!

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