Do jeito que debatermos, governaremos e conduzimos as pessoas

Os debates políticos desde 2013 tem se tornado mais embates e combates para humilhar e aniquilar os rivais que oferecem espaço de discernimento para escolha dos candidatos. Se partimos da definição que a política é a arte e a ciência do bem comum, os debates devem ter como foco ideias, princípios, plataformas e programas de governo, isto significa centrar os debates para propor soluções e perspectivas para uma sociedade mais saudável, justa e fraterna.

Quando a raiva e o ódio comandam os debates, e trata-se de vencer a qualquer custo sem importar-se no dano moral, a calúnia, ou difamação ao oponente que é considerado sempre inimigo, o debate assume a forma de uma guerra sem quartel, e a verdade torna-se a primeira vítima. Pelo contrário, os debates  têm que primar pela nobreza política, a generosidade de considerar os adversários apenas como oponentes nas eleições mas que podem tornar-se em futuros aliados e colaboradores para um governo centrado no bem comum, na convergência e no respeito a todos os cidadãos. Já os líderes espirituais Mahatma Gandhi e o Dalai Lama afirmavam que o caminho da política é tornar amigos os inimigos lembrando que o conceito e a etimologia de paz vem de pangere em latim fazer pactos, acordos, o que o Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti chamava de amizade e paz social.

Para um cristão a chamada política do inimigo ou necropolítica que se baseiam em eliminar as pessoas ou dissidentes da arena das disputas políticas ou mesmo da convivência social é algo detestável e totalitário. É ilusório pensar que vencer debates com a estratégia da intimidação, acusação e as fake News podem levar a consolidar uma vitória eleitoral, ou mesmo a uma hegemonia na sociedade, pois tem sempre o mesmo efeito  que construir castelos de areia na praia que a água do mar levará na primeira onda. O debate terá que levar em conta a razão deliberativa segundo Jurgen Habermas, ser transparente, respeitar a etiqueta e cortesia política ou a chamada pelo Pe. Yves Leloup elegância política, que leva em conta a pluralidade, a equanimidade, e o reconhecimento da originalidade e singularidade de cada pessoa.

Os debates podem sim ser escola de cidadania, de projeção do futuro e elevação da qualidade e aprimoramento da classe política, atendendo a sua vocação e missão de servir o bem da comunidade. Finalmente e não menos importante dizer aos políticos que comparecem a um debate,  que tem o grande desafio esperançar e encantar a política, para que não seja considerada uma atividade suja, de oportunistas e aventureiros, ou o pior ainda assassinos de democracias que vem para destruir o Estado de Direito, e surrupiar os direitos do povo. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 13 de Setembro de 2026.

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