Jubileu de Esperança: Reflexo do Amor desde a Criação

Rememorar é vivenciar e prestar homenagem àquele a quem amamos, o nosso Papa Francisco que, no ângelus de 30 de maio de 2021 destacou que “Deus não é solidão e sim Comunhão”. O Sumo Pontífice ensinou que a Santíssima Trindade é fundamental para todo cristão e constitui a fonte da unidade da Igreja. As Pessoas da Trindade são reais, às quais podemos dirigir nossas preces, em todas as situações e em toda a Vida Litúrgica.

Diác. Adelino Barcellos Filho – Diocese de Campos/RJ.

As iniciativas da vivência efetiva deste ano jubilar de esperança de 2025, sejam elas individuais ou coletivas, fundamentam-se no exercício singular da Comunhão dos Santos, o qual congrega a Igreja em suas três esferas: terrena, purgatorial e celestial. O Papa nos ensinou que a Santíssima Trindade, um mistério imenso revelado, está além da nossa compreensão, mas ressoa em nossos corações, pois Deus é Amor.

Contudo, a nossa compreensão limitada da dinâmica trinitária só é possível a partir da nossa condição de imagem e semelhança de Deus,façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança” (Gênesis 1). A ação divina no plural neste versículo destaca a importância da criação do ser humano como reflexo da Divindade e da Sua Liberdade. A aprendizagem mútua e a formação continuada, especialmente através da catequese, são essenciais para o crescimento espiritual e o desenvolvimento de cristãos engajados em uma “ecologia integral”.

A Catequese sobre a Santíssima Trindade muitas vezes se concentra em frases memorizadas como “Deus é um mistério” e ainda, “São três pessoas e um só Deus”. Sem uma experiência pessoal da Graça através de Jesus Cristo e do Espírito Santo, torna-se difícil compreender verdadeiramente este Mistério, para contemplá-lo. Para os especialistas e a Sagrada Escritura, o Mistério revelado é o “desejo de Deus inscrito no coração do homem”. Deus, por Amor, revela-Se ao homem e responde às suas perguntas sobre o sentido e propósito da existência humana.

Observa-se que nos encontramos em um novo processo de evangelização, o qual “deve ser caracterizado pela alegria” (Amoris Laetitia), indicando novas perspectivas para o caminho a ser percorrido pela Igreja. Assim, torna-se urgente e necessário aprimorar o “processo de transmissão da Fé”. Dessa forma, todos os envolvidos devem ser interpelados, considerando as seguintes delimitações: no âmbito da pastoral catequética (querigmática e mistagógica) no cotidiano; aos batizados cuja vivência da Fé não é expressiva; e àqueles que desconhecem o Evangelho ou o rejeitam: grande desafio.

Apesar de não faltarem iniciativas que possibilitem um “itinerário” de reinserção no processo de “amadurecimento na fé e na pertença eclesial”, pressuposto para a eficácia do Jubileu de Esperança de 2025, há de se considerar que exista o grande desafio de aplicá-lo em nossa vivência pessoal, na prática evangelizadora, devido ao grande número de pastorais que surgem nas dioceses, em nossa experiência enquanto Igreja. Faz-se necessária uma “demonstrabilidade derradeira da opção cristã fundamental”, a fim de apresentar as razões da Fé cristã.

Uma das possibilidades é o conhecimento de Deus, a partir do autoconhecimento, na Vida da Graça. A Revelação Cristã, é o próprio Deus se revelando como Amor ao se tornar homem, para que a humanidade possa conhecê-Lo e amá-Lo. Para tanto, teremos como ponto de partida a compreensão da essência e da natureza do ser humano, por meio da análise dos elementos primordiais que o caracterizam, a saber: inteligência, vontade e emoção. Tal análise é fundamentada em estudos da área da psicologia.

A inteligência, a vontade e a emoção são elementos primordiais interligados que caracterizam o ser humano. A inteligência abrange pensamento, criatividade e julgamento de valor, e facilita o autoconhecimento. A vontade, por sua vez, nos leva a tomar decisões e assumir compromissos, exigindo também autoconhecimento. Já a emoção, conectada aos sentimentos e à força interior vital, é a dimensão relacional e comunicativa do ser humano. Embora distintas, essas realidades se complementam e são essenciais para o desenvolvimento humano, na aplicação da “ecologia integral”.

Deus, uno e trino, concede ao homem a capacidade de compreendê-lo. O Pai, Criador de todas as coisas, é Inteligência Suprema, Onipotente, Onipresente, Onisciente, Providente e Justo Juiz. O Filho, Jesus Cristo, é a Palavra definitiva do Pai, manifestação completa da Vontade divina e fonte de toda a Verdade e Moralidade. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, e se manifesta como Emoção, a força da Vida e da Luz, comunicando-se com o homem e guiando-o na interpretação das Escrituras e na vivência da Fé de Jesus Cristo.

Apesar da clara distinção entre os elementos primordiais da caracterização do ser humano, eles estão intrinsecamente interconectados. A inteligência, a vontade e a emoção podem coexistir em harmonia e equilíbrio, apontando para uma unidade perfeita, semelhante à Trindade Santa. Em Sua infinita misericórdia, por causa do Mau uso da Liberdade (pecado das origens), Deus concebeu um plano para a redenção da humanidade, querendo precisar do ser humano, criado à Sua imagem e semelhança. Através do Sim de Maria, este plano divino de amor foi concretizado, mediante Jesus Cristo.

A Fé de Jesus Cristo, como início da jornada para a Vida eterna, nos permite experimentar a alegria e a luz da visão beatífica, o objetivo de nossa jornada. Maria, a “nova Eva” e  “mulher do apocalipse”, é o modelo supremo dessa Fé, pois acreditou no poder de Deus e O engrandeceu.  A presença de Maria está ligada à encarnação de Jesus, sendo um exemplo para os humanos buscarem o Amor a Deus.  Assim, a Santíssima Trindade, ao se revelar em Cristo Jesus, demonstra e confirma a participação de Maria, intrinsecamente ligada aos méritos de Cristo, como Mãe de Esperança. 

Com o coração repleto de esperança e confiança na vossa poderosa intercessão, ó Mãe Auxiliadora dos Cristãos, dirigimo-nos a vós humildemente para implorar o vosso auxílio divino. Sabemos que nas vossas mãos abençoadas reside a fonte inesgotável de todas as Graças, que emanam do Coração transbordante de amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Suplicamo-vos, com a alma ardente de fervor, que abrais a Porta generosa em nosso favor, derramando sobre nós a Graça especial que tanto ansiamos e necessitamos [mencionar a graça específica]. Vossa bondade e misericórdia são infinitas, e sabemos que não desampararás estes vossos servos que, com grande confiança, esperam em vossa intercessão junto ao Trono da Graça. Assim seja.

Valei-nos São José!

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