Retiro dos Presbíteros: O cuidado da saúde espiritual e mental dos sacerdotes

Em nossas paróquias temos muitos encontros e formação para nossas pastorais. Dentro de nossa limitação nos doamos, preparamos tríduos e novenas, atendemos a pessoas com muitos problemas e que muitas vezes basta ouvi-las e saem bem após uma bênção. Também somos pessoas que precisamos cuidar de nossa saúde espiritual e mental. O Retiro nos proporciona, a nós padres, um imenso abastecimento.

Em nossas atividades diárias eu tenho pleno conhecimento da dificuldade para rezarmos o Ofício das leituras, laudes e Vésperas, sem pensar na oração da noite, as “completas”. Graças à Igreja com suas orientações podemos priorizar Laudes e vésperas. Atendemos e visitamos enfermos; idosos e que precisam da nossa visita.

Reconheço que o local é muto distante, ou seja, daqui de Grussaí, 356 Km, porém um lugar onde realmente nos retiramos somos bem recebidos e nos acomodamos nesta casa das Irmãs Salesianas em Cachoeiro do Campo, próximo a Ouro Preto em Minas Gerais. O Lugar é isolado e favorece nossa retirada, além da comida espetacular com o perigo de pecarmos pela gula. Que Nossa Sra. Auxiliadora interceda por nós.

O nosso pregador deste ano foi Dom Basílio, OSB, monge beneditino do \mosteiro do Rio de Janeiro, cujas reflexões tiveram como palavra-chave a “ESPERANÇA”. Não podia ser diferente este tema, pois neste ano 2025 vivemos o “Jubileu da Esperança” anunciado e proclamado pelo Papa Francisco. O termo esperança vem de espera. A espera pode causar sobretudo nos ansiosos um tempo dramático. Porém para nós a esperança significa tempo de conversão e salvação. Tempo de transformação da vida espiritual e, portanto, pessoal.

Infelizmente muitos foram os padres que no Brasil, sem saber de outros países cometeram o suicídio por perderem a “ESPERANÇA”. Conforme o ditado popular, “a esperança não só é a última que morre, mas a última melhor amiga para não se matar”. A esperança é uma das virtudes teologais cuja positiva é cf. o Dicionário Oxford Languages: “sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja; confiança em coisa boa; fé (tb. us. no pl.). “e. de uma vida melhor”; expectativa, espera, aguardo” cf. pesquisa Google digitando a palavra “esperança”.

Seguem algumas das minhas anotações não fiéis às palavras do pregador, Dom Eusébio, OSB, mas como eu entendi, que sejam úteis para os leitores deste artigo:

“No retiro precisamos do silêncio, o estar a sós para ouvir e acolher o isolamento. Silêncio é não deixar de falar com Deus, com os homens em outro momento. Precisamos destes oásis, quando falamos e ouvimos. Trata-se de um silêncio que comunica. Solidão, silêncio e oração formam uma tríade complementar.”

“Outro perigo é a chamada rotina. É necessário tirar a ferrugem da rotina e reconhecer as visitas surpresas de Deus por diversas formas e nunca provocada por mim. Temos como exemplo Nicodemos quando foi ao encontro com Jesus. Faz nascer de novo, nascer do alto. Também a Samaritana que vai ao poço buscar água e encontra a fonte, Jesus. Não uma água parada, mas que corre, que jorra para a vida eterna. Vamos perceber os sinais na rotina e não permanecer anestesiado. Por exemplo, quando encontro desculpas para não visitar os doentes.”

“Com a cabeça cheia não devo rezar (neste momento), mas me controlar, preparar e rezar. Não é deixar de rezar. Como falar de oração se estou distraído? Conversar com Deus sobre a distração, uma vez que, a oração é diálogo. A oração precisa ser cultivada e conhecemos diversas de acordo com as múltiplas tradições. A prática da oração deve se evoluir para o estado de oração quando estou intencionado a dialogar com Deus em qualquer instância, não precisando de juiz, só da intercessão dos nossos Santos advogados,”.

“A oração contemplativa é fruto da Graça e o estado de oração é o meu esforço. A oração pode ter o aspecto oferente. Diante de uma calúnia eu ofereço a Deus, uma alegria eu ofereço a Deus. Mesmo um coração pobre vai se oferecer a Deus. Viver tudo como graça de Deus, pois espero de Deus tudo receber.”

Pe. Marcos Paulo Pinalli da Costa, Sacerdote da Diocese de Campos-RJ.

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