Sentir, entender e aliviar a dor do outro, um caminho humano para prevenir o suicidio. 

Pe. Rafael Solano. Presbítero da Arquidiocese de Londrina – PR

Desde o ano de 2005 iniciei um dos estudos mais exigentes da minha vida como teólogo moralista. O suicídio. A suicidologia no campo da psiquiatria e da psicologia está bem avançada. No campo antropológico, Ético e moral não é assim. Sentir, entender e aliviar a dor de quem procura se auto mutilar ou auto exterminar.

A leitura que se faz do suicídio no ambiente clerical é muito rápida e superficial; aliás o tema do suicídio entre nós bispos e presbíteros, consagrados e consagradas entrou no ambiente das manchetes e dos simbolismos mais frequentes do escândalo e da dor. Por esta razão proponho a cada um de vocês olharmos com profundidade para estes três itens que podem nos ajudar no caminho da prevenção.

Para começar o nosso diálogo poderíamos nos perguntar por que ainda não nos suicidamos. De fato os que estamos lendo este texto estamos vivos e queremos continuar assim. Num ambiente com uma problemática tão acirrada viver não é nada fácil.

Numa das minhas aulas de moral sexual perguntei aos estudantes o que estavam percebendo diante da realidade sexualmente reconhecida no ambiente mundial e local. Um pan sexualismo enraizado numa condição sociológica cada vez mais agressiva. Um dos estudantes respondeu sem  hesitação: “por vezes a gente quer morrer e não ver o que estamos vendo”.

Esta resposta incendeu em mim os alarmes de uma situação altamente preocupante. Preferir morrer para não ver. A primeira das análises que devemos fazer é sobre o significado de “sentir com”.  Cada vez torna-se mais difícil sentir do lado de alguém. O mimetismo afetivo, sensual e perceptivo esvazia hoje a vida de muitos bispos e presbíteros. Homens miméticos.

Nos tornamos especialistas em camuflar sentimentos, paixões e comportamentos meramente humanos. Se nós seguíssemos a teoria de Robert Sapolsky que diga-se de passagem é de uma riqueza única a biologia nos ajuda a entender como comportamentos de competição, agressão e destruição são cada vez mais frequentes entre pessoas que amam fazer o bem.

Muitos dados de presbíteros que suicidaram-se; correspondem a pessoas simpáticas mas miméticas. A simpatia de um líder religioso não é garantia de desenvolvimento afetivo. Sentir com é sinal de perceber que todos os afetos são personalizados. Não amamos amigos virtuais nem seguidores virtuais. O relacionamento oferece um toque essencial na presença do outro. Por que será tão excessivamente difícil sermos amigos dentro do clero. Amigos de verdade leais, próximos e sinceros?

 

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