DEUS, A PAZ MUNDIAL E O BRASIL NA 2ª GUERRA MUNDIAL
Culpar Deus pelas guerras entre nações ou civis é fácil e inclusive usar este argumento para querer provar sua não existência. No mundo, segundo fonte do Google a porcentagem de ateus é de 2% a 3%. Quanto aos agnósticos podem chegar a 16%. Por agnósticos podemos entender que são pessoas, cujo raciocínio afirma não ser possível provar ou negar a existência de Deus. O Agnosticismo é uma postura filosófica e epistemológica, não teológica.
Sem desprezar outras religiões e crenças mundo afora quero ainda citar as porcentagens das consideradas mais conhecidas, por termos em comum sermos monoteístas, ou seja, crendo num único Deus. Conforme os dados que pesquisei, nossos irmãos mais velhos, os judeus correspondem a 0,2%, ou seja, cerca de 7milhões, os muçulmanos são entre 25,6%, cerca de 2 bilhões e nós cristãos somos 28,8% o que equivale à 2,3 bilhões de pessoas.
Quanto às últimas guerras que entraram ou entram para a história, ainda não considerando aquelas que atingem nossos irmãos do continente Africano deve haver um pedido de perdão da parte dos governantes católicos que não ouviram as mensagens dos nossos Papas mensageiros da paz. Cito aqui uma grande lista dos nossos Pontífices: São Pio X, Bento XV, Pio XI, Venerável Pio XII, São João XXIII, São Paulo VI, Bem-aventurado João Paulo I, São João Paulo II, Bento XVI, Francisco e Leão XIV.
Não me recordo qual obra literária que li na minha época de seminário, mas São Pio X, ao que me parece morreu de desgosto pelo fato de não poder conter a primeira guerra mundial entre países europeus católicos, cujos irmãos se mataram por motivo armamentista e nacionalistas.
A Alemanha depois da ascensão de Hitler provocou a 2ª Guerra mundial e outra vez nós cristãos e católicos nos colocamos em combate uns contra os outros. Até o Brasil cujo Presidente era Getúlio Vargas, sem saber a quem apoiar se rendeu e entregou Olga Benário, grávida e de origem judaica e naturalizada brasileira aos nazistas e morta na câmara de gás pela Gestapo. Ela era esposa do Comunista Luiz Carlos Prestes, líder da radical esquerda que em 1950 o apoiou na eleição presidencial. Quem entende caro leitor? O que é mais importante, o laço familiar ou a ideologia partidária? Na política os inimigos de ontem são os amigos de hoje ou de amanhã.
Conheci dois pracinhas da segunda guerra mundial, um que era padre aqui na Diocese, Pe. Abaeté Cordeiro e meu saudoso amigo, o Sr. José André (Natividade-RJ) que em diversas conversas me relatou os conflitos dos Pracinhas brasileiros na Itália. O Presidente Vargas, nome de muitas avenidas no país, ainda que tivesse simpatia pela Alemanha Nazista cedeu aos Aliados liderados pelos EUA saindo de uma situação de neutralidade em 31 de agosto de 1942. Infelizmente seu fim foi trágico no Palácio do Catete no Rio de Janeiro.
Minha primeira paróquia foi Varre-Sai-RJ, com muitas famílias que vieram da Itália. Tanto no Cartório quanto na Igreja os livros de registros de batismo foram incendiados para que nenhum ascendente de italiano fosse para a 2ª Guerra Mundial. Ouvi dizerem: “Como nós italianos vamos matar italianos?”.
Enfim, Deus nos deu liberdade para fazermos nossas escolhas. Caim matou Abel por inveja cf. Gn. 4, 1-16. Este é o segundo pecado nas sagradas Escrituras. Não deixa de ser, no meu modo de pensar, a “primeira discórdia” após a criação. No entanto, Deus agiu com misericórdia e Caim foi julgado a ser errante, ou seja, Livre sobre a terra, não permitindo que ninguém o matasse.
Disse Nosso Senhor Jesus Cristo cf. Jo. 14,27: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!”. Adoramos o Deus da Paz entre todos os povos. A liberdade que nos foi concedida é para sermos família humana, independente da religião professada e não para nos digladiarmos e nos matar em guerras. Assim, encerro esta reflexão: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis, para a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo.” Cf. I Ts 5,23.
Autor: Pe. Marcos Paulo Pinalli da Costa, Sacerdote da Diocese de Campos-RJ, Pároco e Mestre em Direito Canônico.