Renovar os corações para procurar a paz e cuidar da Criação!

O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação deste ano 2026 trás como tema ecumênico de reflexão a “Água viva” inspirado na visão do profeta Ezequiel 47, 12 sobre o Rio que brota do Templo e que gera cura para os ecossistemas e biomas em todo o planeta ameaçados de destruição, provocando uma profunda crise hídrica, o que nos leva a responder ao chamado de cuidar das águas, protegendo as bacias hidrográficas, defender os direitos das águas e honrar a dignidade dos sedentos. O Dia Mundial de Oração inicia o tempo de Oração pela Criação que envolve atividades espirituais de meditação e reflexão e atividades de cuidado, gestos e encontros de consciência e transformação que motivem uma mudança e possibilitem uma verdadeira conversão ecológica.

Este momento de vivência e comunhão com a Terra e suas criaturas encerra sempre na Festa de São Francisco no 04 de outubro que terá destaque especial pelo jubileu dos 800 anos do Trânsito do Poverello de Assis. Este ano o Papa na sua mensagem para este tempo inspirou-se no texto de Isaías 2,4: “Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices”. Esta frase do profeta nos leva a missão de Cristo de trazer vida em abundância e por isso o Papa nos convida a contemplar a vida e valorizar a Terra que a sustenta.

Diante do sofrimento causado pelos conflitos armados e as diferentes crises que nos perturbam e criam feridas e inúmeras vítimas, o Pontífice afirma que as atrocidades das guerras e o cuidado da Casa Comum constituem um único apelo a cura e a paz, pois estão profundamente relacionadas, exigindo empenho por edificar uma paz verdadeira, desarmada e desarmante, que contribua para fazer retornar o equilíbrio harmonioso na Terra. Mas para transformar as espadas em relhas de arados e lanças em foices, precisamos cuidar dos ecossistemas interiores que toquem nossos corações fazendo-os responsáveis e curadores  pelas pessoas e pela integridade da Criação, a água, o ar, as florestas e as preciosas criaturas que a habitam e embelezam. Já o Papa Bento XVI nos alertava que se os desertos exteriores multiplicam-se no mundo  era porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos.

As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor. Como São Francisco junto ao cuidado com as criaturas, e o amor aos pobres saibamos levar a benção, a paz e a reconciliação a todos/as como ele a levou ao Sultão egípcio Al-Malik al-Kamil, na quinta cruzada em Damieta no ano 1219. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 06 de Setembro de 2026.

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