“Tu és Pedro” (Mt. 16,18)
Sou sacerdote da Diocese de Campos-RJ, nasci em 1975, fui crismado por Dom Antônio de Castro Mayer aos 6 anos e vivi em família um conflito sem atritos entre meus pais. Meu pai era “tradicionalista” e todo domingo pela manhã eu ia à missa em latim com ele, mesmo após a primeira excomunhão e minha mãe natural de Minas Gerais, já conhecedora da missa em vernáculo, ou seja, em português me levava à missa à tarde no colégio Alvorada em Natividade-RJ, vista como “progressista”. Fui convidado para ser coroinha pelo Pe. Oscar Longen (In Memoriam) na rua próxima à minha casa e que na época morava com o Pe. Afonso Egídio Hauber (In Memoriam). Não pensei duas vezes e naquele mesmo dia, 12 de outubro servi sem ter noção alguma numa missa na localidade de Cruzeiro do Marambaia.
Convivi depois com os Padres Alberto Huber e Pe. Tarcilo Back (In Memoriam), ambos Dehonianos até meus 15 anos quando ingressei para o Seminário Menor Maria Imaculada, sendo recebido pelo saudoso D. Roberto Guimarães, eleito bispo depois. O nosso Bispo era Dom João Corso, SDB, ambos In memoriam e mesmo ele na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e fazendo parte da minha história vocacional veio me ordenar diácono.
Eu sempre mantive contato como seminarista e sacerdote com os sacerdotes denominados tradicionalistas. Entre eles Mons. José Moacir Pessanha, em Natividade, e Pe. Antônio Siqueira, em Varre-Sai, a minha primeira paróquia. Aqui na diocese muitos padres e fiéis pertenciam à Fraternidade Sacerdotal São João Batista Maria Vianney. Eu, estava em ano sabático quando aos 18 de janeiro de 2002, na Catedral de Campos dos Goytacazes-RJ fora assinado na presença de Dom Roberto Guimarães, Dom Licínio Rangel e o Cardeal legado de São João Paulo II, Dom Dario Castrillon Hoyos.
No início do cisma na diocese eu era criança com meus 6 anos, tempo de sofrimento para todos nós católicos. Quando, por ordem judicial, o Pe. Moacir saiu da Matriz eu acompanhei. Fora levado naquele dia, em procissão, as hóstias consagradas e entre cantos, orações e choros uma frase ficou marcante: “Roubaram nossa Igreja e não roubaram nossa fé!”. Vendo o Pe. Moacir celebrar eu dizia que um dia celebraria como ele. Após o meu ano sabático em 2004 fui o primeiro sacerdote da diocese a convidar Dom Fernando Rifan a celebrar na São Francisco do Itabapoana e Atafona quando lá era pároco.
Também fui o primeiro a celebrar a missa no Rito Extraordinário em Natividade, na Paróquia Pessoal Nossa Senhora das Graças. Para minha realização o Mons. José Moacir Pessanha assistiu e pude dar comunhão a ele. No final da missa eu disse ao Mons. Moacir que segui seu exemplo. Como ele não perdia tempo para responder sorriu e brincou comigo: “Péssimo exemplo”.
Quem me ensinou foi a celebrar na forma extraordinária do rito romano foi o Pe. José Geraldo. Tive a graça de acolher e ensinar o Pe. Alci a celebrar a missa em vernáculo, ou seja, no rito ordinário em português. Literalmente vivi o ditado “Ensinar o padre a celebrar a missa” aprendendo e ensinando.
Fomos não surpreendidos pelas sagrações de Bispos em Ecône, na Suíça, após conversas e carta enviada pelo Papa Leão XIV à Fraternidade Sacerdotal São Pio X pedindo para esperarem até sua escolha. Infelizmente nosso Papa foi ignorado. Estavam em comunhão conosco após o Papa Bento XVI ter retirado a excomunhão. No entanto, nos remetemos ao ano de 1988 e outra vez, sem a autorização do Papa, sagraram 4 bispos, que com os 2 sagrantes foram excomungados. Infelizmente o cisma se repetiu. Aqui no Brasil uma pessoa cismática equivale à desconfiada com ideia própria e de difícil diálogo. Cisma significa separação. Toda poda (corte) e separação significa dor na planta. O que as vezes é necessário para a planta continuar a produzir.
A palavra Papa tem origem no grego e no Latim, significando pai ou carinhosamente papai. Inicialmente na nossa Igreja, tratava-se de Papa os bispos, depois Patriarcas e Arcebispos. Hoje só o Romano Pontífice, o Bispo de Roma. O Papa é nosso pai aquele que ama, educa e corrige seus filhos.
No direito canônico, cân. 331 temos a seguinte definição: “O Bispo da Igreja de Roma, no qual permanece o múnus concedido pelo Senhor de forma singular a Pedro, o primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido aos seus sucessores, é a cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e Pastor da Igreja universal neste mundo; o qual, por consequência, em razão do cargo, goza na Igreja de poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal, que pode exercer sempre livremente.”
Como dogma de fé o Papa é Infalível em se tratando de fé e moral. Como autoridade suprema não pode ser julgado por qualquer outra autoridade terrena e muito menos existe um tribunal para recorrer às suas decisões. A Papa Leão XIV todo católico tem o dever de reverenciar, obedecer e por ele rezar. Como referência, nosso Papa é a ponte que garante a unidade da Igreja. Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil conservemos nossa fidelidade à Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.
Autor: Pe. Marcos Paulo Pinalli da Costa, Pároco e Mestre em Direito Canônico e Vigário Judicial Adjunto da Diocese de Campos-RJ.