|

Homilia: Domingo da Páscoa do Senhor

“De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos”. (Jo 20,9)

A Ressurreição de Cristo é o ponto central da fé cristã. É o cumprimento da missão salvífica do Messias. Pela Ressurreição do Senhor o homem velho destruído pela morte passou a ser chamado homem novo. As piores consequências do pecado original foram o afastar-se da convivência com Deus, digo da Comunhão de vida com Deus e a morte. 

A ressurreição, ainda na madrugada, indicava as trevas que vivia a humanidade, mas naquele momento, houve a possibilidade para os que acreditassem de se revestirem desta Sagrada Luz, a do Cristo Senhor que acabara de deixar o túmulo vazio. A morte foi derrotada e a comunhão com Cristo é o retorno à casa do Pai. 

Naquele momento os Apóstolos São Pedro e São João não tinham compreendido, estavam ofuscados e cegos pela morte do Senhor. Pior foi São Tomé que não acreditou. Assim, caríssimos irmãos e irmãs, em qual nível de compreensão estamos? Ofuscados, confusos e cegos ou não crendo nesta verdade e centro da fé cristã?

O que ofusca muitos a não compreenderem tal mistério? Qual o motivo para não crerem como ocorreu com São Tomé? A resposta a estas indagações é pessoal. Compete à Igreja ir ao encontro dos que não compreendem, dialogar com os que não creem e fazer todo esforço para que conheçam Jesus, nosso Senhor e Salvador. Ao menos saberem que Aquele que Criou o Universo e chamamos de Pai, é amor. Por este amor, a vida eterna nos foi dada e que nela a nossa alegria seja plena, como escreveu São João na sua primeira carta:
“2.porque a vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou, 3.o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo.* 4.Escrevemo-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa.” (Jo 1, 2-4). 

Satanás foi derrotado por Cristo na Cruz, mas não quis se dar por vencido. Podemos, pela Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES, sobre a Igreja no mundo atual, nº 37, de São Paulo VI, Papa, datada de 7 de dezembro de 1965, cuja tradução do seu nome é “A Alegria e a Esperança”, compreender o que escreveu o Pe. Gabriele Amorth, no Livro “Um Exorcista Conta-nos”: “Satanás combate contra aqueles que o seguirem, os fiéis; a luta contra os espíritos malignos continua, e durará, como diz o Senhor, até ao último dia”. 
A atividade humana está viciada pelo pecado. Segue o texto desta mesma Constituição Pastoral: 37. A Sagrada Escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina à família humana que o progresso humano, tão grande bem para o homem, traz consigo também uma grande tentação: perturbada a ordem de valores e misturado o bem com o mal, os homens e os grupos consideram apenas o que é seu, esquecendo o dos outros. Deixa assim o mundo de ser um lugar de verdadeira fraternidade, enquanto que o acrescido dos homens ameaça já destruir o próprio género humano.

Pois bem, caríssimos irmãos e irmãs, nestes tempos devemos tomar cuidado sobretudo com este pecado capital que pode ser chamado de ganância ou avareza. Em tempos de luta contra esta pandemia do Corona Vírus, Satanás se alegra pelos oportunistas gananciosos que lucram com a desgraça alheia, ao passo que outros estão revoltados porque não podem mais sair para gastar, comprar, viajar e viver exibindo a própria ostentação como forma de alimentar o ego. Não sabendo lidar com o isolamento ou distanciamento social tiveram seus planos desfeitos e só Deus sabe se e quando se concretizarão. 

Vejamos a definição de ganância na Wikipédia, a enciclopédia livre: “Ganância é um sentimento humano que se caracteriza pela vontade de possuir tudo que se admira para si próprio. É a vontade exagerada de possuir qualquer coisa. É um desejo excessivo direcionado principalmente à riqueza material, nos dias de hoje pelo dinheiro. Contudo é associada também a outras formas de poder, tal qual influencia as pessoas de tal maneira que seus praticantes chegam ao cúmulo de corromper terceiros e se deixar corromper, manipular e enganar chegando ao extremo de tirar a vida de seus desafetos. Muitas vezes é confundida com ambição. No Cristianismo, ganância é um dos sete pecados capitais, opondo-se à generosidade.”.

São João Maria Vianney ensinou que “A avareza é um amor desordenado pelos bens deste mundo. Sim, meus filhos, é um amor mal regulado, um amor fatal, que nos faz esquecer o bom Deus, a oração, os Sacramentos, para que possamos amar os bens deste mundo – ouro, prata e posses. O homem avarento é como um porco, que procura comida na lama, sem se importar de onde vem. Curvando-se para a terra, ele pensa em nada além da terra; ele não olha mais para o céu, sua felicidade não está mais lá. O homem avarento não faz nada de bom até sua morte. Veja quão avidamente ele acumula riqueza, quão ansiosamente ele a mantém, quão aflito ele fica se a perde. Mesmo no meio das riquezas, ele não sabe apreciá-las; ele está mergulhado em um rio e está morrendo de sede; deitado em um monte de milho, ele está morrendo de fome; ele tem tudo, meus filhos, e não ousa tocar em nada; seu ouro é uma coisa sagrada para ele, ele faz dele sua divindade, ele o adora…”.
Devemos crer com a Igreja e nos alegrar como os apóstolos e as mulheres ao contemplarem o túmulo vazio. Nosso Senhor Jesus Cristo está vivo, ressuscitado conforme as Escrituras. Pelo batismo fomos marcados para tomar posse da vida eterna, nossa meta é o céu, semelhantes ao Cristo que nos antecedeu. Continuamos nesta Páscoa com uma mensagem de esperança contra todo espírito de ganância ou avareza. Aliás contra o pecado da avareza devemos praticar a virtude da generosidade a exemplo do Pai do Céu, cf. Jo 3,16: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Sejamos generosos, acrescentemos algo bom ao próximo. Vamos praticar a caridade pela solidariedade, construamos uma grande fraternidade universal a começar pelo lugar que moramos. Aumentou o número dos irmãos que precisam de nossas boas obras, independente da raça, do credo e até mesmo do time que torce. Agora é a hora de nos unirmos, temos mais tempo para rezar e ajudar aqueles que de nós necessitam, como soldados em tempo de guerra ansiosos pelo fim, pois esperam o tempo da paz. 

Que o Cristo Ressuscitado nos conceda a paz que precisamos, sobretudo rompendo as trincheiras entre direita e esquerda, no Brasil e no mundo. Por hora, se nossas casas se parecerem com o túmulo, pela nossa fé, celebramos hoje o túmulo aberto e vazio. O que parecia ser o lugar da morte deu lugar à vida. Mesmo na dificuldade se esforce por viver, mesmo tendo o mínimo, sejamos generosos e solidários àqueles que também têm o direito de viver e precisam do nosso amor. 

Enfim, será que compreendemos por que ele devia ressuscitar dos mortos? Foi para nos trazer vida e alegria. Ensinou-nos São Paulo ao escrever aos Filipenses: “4. Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: Alegrai-vos. 5. Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo.” (Fl 4, 4-5).

Tenha uma Feliz e Santa Páscoa!

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 

Para sempre seja louvado!

Pe. Marcos Paulo Pinalli da Costa, Quase Pároco e pertencente do clero da Diocese de Campos-RJ.

Posts Similares

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *